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OFERTA DE ÁGUA MINERAL SUPERA A DEMANDA

A Associação Brasileira da Indústria de Águas Minerais (Abinam) garante: tão cedo não faltará produto nas gôndolas do País, mesmo considerando a estiagem que abala alguns estados. “Dizer que as fontes de água mineral vão secar se não chover é um engano, porque isso interfere no processo de residência nas fontes somente a um longo prazo - cerca de 30 anos. Além disso, hoje, a oferta do setor é três vezes maior do que a demanda em todo o Brasil”, garante o presidente da Abinam, Carlos Alberto Lancia. Segundo o dirigente, a potente capacidade instalada por 600 indústrias, que respondem por 800 marcas de água mineral espalhadas em solo nacional, aguarda a procura do produto por mais da metade dos municípios brasileiros.

“Estamos presentes em apenas 48% das cidades e nossa média de consumo é de 55 litros por habitante, enquanto, na Europa, essa média é de 150 litros por habitante.” Em São Paulo não está faltando o produto, garante Lancia. “No máximo, o consumidor pode vir a não encontrar eventualmente a marca de preferência, mas há 120 atuando em todo o estado.”

Justamente porque há mais oferta que procura, os preços também não devem sofrer alteração. “Sempre pode ocorrer de um ou outro cometer abuso”, pondera Lancia, lembrando que, dependendo da localidade onde o produto é distribuído, também há o fato de a logística encarecer o custo final ao consumidor, como é o caso do interior paulista. Ainda de acordo com o presidente da entidade representativa do setor no País, de dezembro de 2013 para dezembro de 2014, a água mineral já teve um acréscimo de 10% no valor de mercado, e, a princípio, não deve ficar mais cara nos próximos meses.

De acordo com dados da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), somente em janeiro e fevereiro de 2014, foram comercializados 50 milhões de litros de água mineral nos estabelecimentos gaúchos. Segundo a entidade, no verão, o consumo da bebida costuma crescer 35% na comparação com o inverno. No Centro-Oeste e Sudeste do País, onde, além da escassez de chuva, as temperaturas aumentaram nos últimos anos, este índice atualmente é de cerca de 30%, compara o presidente da envasadora Bio Leve, Flávio Aragão dos Santos. A empresa, situada em Lindoia (SP), abastece, em grande escala, os estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, mas também distribui água no Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás e Brasília.

Santos afirma que este ano a crise hídrica no País tem aumentado em “muito” o consumo de água mineral no Sudeste. “Aqueles consumidores que bebiam água de filtro estão correndo para comprar água mineral, porque sabem que a do abastecimento público vai piorar de qualidade, apesar da potabilidade que sai das estações de tratamento.” E a crise do abastecimento e o calor excessivo estão gerando uma correria às fontes de exploração de água mineral, conta o empresário.

Na Bio Leve, a demanda aumentou substancialmente. Contando com um aquífero com limitação do Departamento Nacional da Produção Mineral para explotar 100 mil litros de água por hora, a empresa retira 800 mil litros por dia, para envazar desde copos de 200 ml até garrafas de 6 litros descartáveis e garrafões de vidro de 10 litros e 20 litros. Do total explorado, 70% é envazado para venda de água, e outros 30% para fabricação de sucos e refrescos.

Como não pretende expandir nos próximos anos, Santos optou por não abrir mais pontos de distribuição dos galões. “Recebemos cerca de 20 consultas por dia de diversos lugares, inclusive do Rio Grande do Sul. Mas não estamos atendendo além dos clientes já formados.”

Engarrafada em Lajeado, Água da Pedra atinge todos os municípios do Rio Grande do Sul

Lajeado, onde a Fruki engarrafa a marca Água da Pedra, hoje já não comporta mais a demanda. De acordo com informações do presidente da empresa, Nelson Eggers, há um crescimento gradativo da produção previsto para ser executado em 10 anos. Mas, já em 2015, o orçamento destinará parte dos investimentos para ampliar o volume em 8%.

Contando com mais de 40% do share do Estado, a Água da Pedra é distribuída em todos os municípios gaúchos. De acordo com Eggers, dos 1,4 milhão de litros por dia utilizados para engarrafamento, metade é para água mineral e o restante é usado na fabricação de sucos, refrigerantes e chás. A empresa mantém a exploração de 10 fontes, todas no entorno da fábrica, em Lajeado, e trabalha utilizando cinco Centros de Distribuição (CDs).

“A última fonte, que concluímos recentemente (investimento de R$ 300 mil em perfurações de poço), verte entre 50 mil e 55 mil litros por hora. É a maior que temos. As outras variam de 8 mil a 25 mil litros por hora”, calcula Eggers. Este ano, a Fruki irá desembolsar aproximadamente R$ 17 milhões, dos quais R$ 8 milhões serão injetados na construção de um CD em Pelotas (para atender toda a região Sul do Estado), em um terreno de 30 mil m2, que deverá comportar estrutura de cerca de 6 mil m2, quatro vezes maior que a atual, que é locada. Ainda para 2015, está prevista a compra de seis a oito caminhões e de seis a oito veículos, 30 motos, e mil geladeiras para serem instaladas em todo o Rio Grande do Sul, onde já funcionam outras 5,5 mil. “Também procuramos um terreno na Serra para a construção de um CD próprio.” E, em 2017, deve ser erguida uma segunda fábrica da empresa, em local ainda não definido.

Estado atingiu teto de consumo, afirma a Agas

O Rio Grande do Sul não deve registrar crescimento na comercialização de água mineral, segundo previsão do presidente da Agas, Antônio Cesa Longo. “Chegamos a um teto de consumo”, disse. ,O diretor comercial da Sarandi, Jairo Alberto Zandona, afirmou que a capacidade instalada para produção chega a 1 milhão de litros/dia, “mas não há demanda para tanto”. “Dobrar o consumo de água no verão é curva normal do mercado. Apenas em 2014, quando ocorreu uma semana com picos de calor, o índice fugiu deste patamar.”  Atendendo 30 mil clientes na região Sul, e contando com 35% do market share no Estado, Zandona afirma que não há previsão da empresa atender outras regiões do País. “A logística e a carga tributária encarecem muito. Além disso, metade dos engarrafadores de água está concentrada no Sudeste. E a questão da falta de chuva ainda não está afetando, isso demora”, garante. O empresário calcula que a Sarandi cresça de 13% a 15% este ano – menos que em 2014, quando cresceu 20%. De acordo com a Abinam, o setor todo cresce 14% ao ano desde 2010. “Hoje, em qualquer cidade do interior, há um distribuidor e a logística melhorou muito neste período”, observa o presidente Carlos Alberto Lancia. 

Veículo: Jornal do Comércio - RS